No início era uma imposição, só havia uma TV em casa (coisa que nem todos possuíam) e a programação oficial era a dos adultos. Meu pai fora um pioneiro, quando, no final dos anos 70, num rincão sem energia elétrica, no Nordeste, adquiriu uma TV e a fazia funcionar conectando em uma bateria de automóvel. Durante muito tempo isso foi uma atração, mas quando eu nasci e tomei consciência das coisas já havia algumas outras Tv's nas imediações e a energia elétrica também estava perto de vir. Deste período de trevas lembro de uma prima mais velha me levando para assistir, numa casa próxima, uma novela que cuja heroína era uma moça de nome Cláudia. Na nossa casa a bateria da TV estava descarregada, vejam só ! Eu adorava esse nome - Cláudia- e algum tempo depois pude ver essa trama no Vale a Pena Ver de Novo: Fera Radical. Aí lembro também do meu pai vendo na nossa casa uma que tinha uns homens "horríveis", muito maquiados e com perucas que eu não conseguia entender. Tinha horror àquilo. Hoje sei que se tratava de "Que Rei Sou Eu?". No geral a TV era ligada mais à noite e praticamente para assistir o jornal. Enfim veio a eletricidade e com ela foi embora a necessidade de usar pouco a TV, economizar a bateria. Até então acho que eu dormia muito cedo ou meu pai não estava ligando a TV, ultimamente, por que não tenho lembranças do período entre "Que Rei Sou Eu?" e a chegada da luz, quase dois anos depois. Este fato coincidiu com o completar da minha interação com a realidade, aos sete anos, e tudo ficou mais nítido, tanto à minha volta como em mim. A Globo era o canal oficial. Às 18:00 estava passando "Barriga de Aluguel", às 19:00 "Lua Cheia de Amor" e às 20:00 "Meu Bem Meu Mal". No Vale a Pena Ver de Novo: "Top Model".
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